Eu caio aos poucos me distanciando,
Te olho nos olhos, te vejo sofrendo.
E assim vamos nos deixando, assim vamos nos perdendo,
Passei um tempo imaginando,
Pensando se você continua me vendo.
Talvez seja a apatia em relação a vida, a estagnação que me deixa inconformada e perdida no tempo, em como deveria agir diante tudo, diante todos.
São as lágrimas não derramadas, o choro não chorado, a compaixão perdida e o amor não declarado, ou declarado, uma incógnita, de fato.
Muitas idéias e palpites de como deveria seguir uma adolescência normal, mas não, as gírias nunca fizeram parte de mim e farras me fazem mal.
Deveria trabalhar, algo que realmente eu gostava, ser útil, mas como, se minha rotina influencia em tantas outras e no fim, seria o mesmo que nada.
Mais nada me satisfaz, nem o sorriso de quem eu pensava que me amava é o mesmo, antes lindo, agora meio torto, amarelo, sem dentes.
E de “então tá”s, “tudo bem”s e “sem problema”s que levaram a paralisia mental, a confusão biológica a apatia cerebral, virei robô, aceito de bom grado e sem reclamar o que é me dado.
Vivendo? Não, sobrevivendo a loucura que fode minhas faculdades mentais dia-a-dia, minuto-a-minuto, poupe-me de compaixão falsa e barata, deixe-me padecer a solidão.
E então as lágrimas rolaram, talvez não de alegria, muito menos de tristeza, mas sim, decepção. Uma decepção intensa e profunda, que arranha e machuca, corta-lhe o rosto a cada centímetro percorrido de uma salgada lágrima. Decepção de sí mesma, decepção por viver em algo tão indigno e tão insuportável, por passar dias e dias ao lado de quem menos suporta e simplesmente calar-se, e não somente diante a isso, mas calar-se diante toda a podridão que lhe incomoda os ouvidos lhe perturba o sono, sobretudo a raiva de ouvir de cabeça baixa o quão incapaz ela é, o quão tolos são seus sonhos, e mesmo depois de ouvir tudo isso não abrir a boca pra disparar uma sequer palavra. Talvez ela seja realmente fraca e só precise de alguém que a fortaleça, ou talvez seja forte e precise de alguém que a transborde pra que finalmente veja que ela, ela nasceu é pra brilhar.